sábado, 29 de março de 2014

Manhãs sertanejas

Sucedem-se manhãs sem par, em que o irradiar do levante incendido retinge a púrpura das eritrinas  e destaca melhor, engrinaldando as umburanas de casca arroxeada, os festões multicores das bignônias. Animam-se os ares numa palpitação de asas, célebres, ruflando. - Sulcam-nos as notas de clarins estranhos. Num tumultuar de desencontrados voos passam, em bandos, as pombas bravas que remigram, e rolam as turbas turbulentas das maritacas estridentes... enquanto feliz, deslembrado de mágoas, segue o campeiro pelos arrastadores, tangendo a boiada farta e entoando a cantiga predileta...
Assim se vão os dias.

Passam-se um, dois, seis meses venturosos, derivados da exuberância da terra, até que surdamente, imperceptivelmente, num ritmo maldito, se despeguem, a pouco e pouco, e caíam, as folhas e as flores, e a seca se desenhe outra vez nas ramagens mortas das árvores decíduas...

Euclides da Cunha - Os Sertões

quarta-feira, 26 de março de 2014

Solar Fernandes Vieira (Arquivo Público)

Localizado na confluência das ruas Senador Pompeu e Senador Alencar, o solar foi construído no terceiro quartel do século XIX para a residência do deputado Miguel Fernandes Vieira (1819-1879).

Adquirido em 1883 pelo Governo Imperial para sediar a Tesouraria da Fazenda, o edifício passou por diversas reformas e ampliações quando sediou instituições públicas, dentre as quais a Receita Federal.

Patrimônio da União, cedido pelo Contrato de Sessão e Uso do Governo Estadual, atualmente o edifício é ocupado pelo Arquivo Público.

A edificação possui dois pavimentos com planta retangular e suas fachadas têm marcações horizontais que definem a linha de piso do primeiro pavimento, além de marcações verticais, em formas de cunhais, em seus vértices. As fachadas apresentam ainda aberturas: portas e janelas, com vedações de fichas de madeira e bandeirola de ferro no pavimento térreo e esquadrias com caixilhos de vidro e venezianas formado balcões com guarda-corpo também em ferro fundido. O edifício apresenta uma platibanda marcada por frisos em todo o seu perímetro.

Arquivo Público do Estado do Ceará
Rua Senador Alencar, 348 - Centro
CEP: 60030-050 - CE Fortaleza
Fone: (85) 3101.2615 - apec@secult.ce.gov.br
Funcionamento: de segunda a sexta-feira de 8h às 12h e de 13h30 às 17h.

Para Refletir...

– É bonito pensar que Deus ama igualmente a todos nós – disse um visitante –, mas parece injusto que Ele se importe tanto com um pecador quanto com um santo.

– Acaso um diamante perde o valor porque está coberto de lama? – replicou o Mestre. – Deus vê a beleza imutável de nossas almas. Ele sabe que não somos nossos erros.

Paramahansa Yogananda, Paramahansa Yogananda ASSIM Falava


Caído do ninho, mas recuperado e devolvido à natureza! Serra da Meruoca - CE 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura


O espaço cultural, destinado ao lazer da cidade, possui cerca de 30 mil metros quadrados de área, reunindo no local diversas atrações, a exemplo do Museu de Arte Contemporânea, Teatro Dragão do Mar, Anfiteatro Sérgio Mota, o Memorial da Cultura Cearense, as salas de cinema do Cine Dragão do Mar, além do Auditório e Planetário Rubens de Azevedo.

O centro foi criado, na década de 1990, por dois arquitetos cearenses, Fausto Nilo e Delberg Ponce de Leon, em um área da cidade que antigamente era portuária.

Programação

A maioria da programação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é gratuita ou com preços simbólicos. Todo mês, a organização do evento divulga a programação, que inclui peças teatrais, espetáculos musicais, shows, exposições e outros. Em volta do Dragão do Mar, há também vários bares e restaurantes, que deixam o ambiente mais animado

Origem do Nome

O nome do centro cultural foi uma homenagem ao jangadeiro Francisco José do Nascimento, mais conhecido como Chico da Matilde. Ele ganhou destaque na época por ter recusado a transportar escravos para serem vendidos no sul do país. O mercado escravista, no porto de Fortaleza, portanto, foi paralisado em janeiro de 1881 com ajuda de Chico da Matilde, que passou a ser chamado de Dragão do Mar.

  Fonte: Diário do Nordeste

terça-feira, 4 de março de 2014

Cores e brilho na Avenida

O desfile dos Maracatus 

Sob aplausos da plateia na Avenida Domingos Olímpio, as agremiações de maracatu dão início  à serie de desfiles do Carnaval de Fortaleza. O maracatu é uma tradição antiga do carnaval da cidade.

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O maracatu cearense é uma tradição cultural que representa um cortejo real em homenagem aos reis africanos. É uma manifestação que engloba dança, música e teatro, os maracatus desfilam no carnaval de rua de Fortaleza com grande imponência. A personagem principal é a rainha. Pelo desfile, passam  índios, negros, príncipes, princesas, reis, escravos, corte, rainhas, bateria e algumas alas que mudam de acordo com o tema do desfile. Uma das principais marcas do maracatu cearense é a pintura na pele para caracterizar o negro.

As indumentárias dos brincantes são um grande atrativo nos maracatus, o brilho das fantasias, os detalhes dos bordados, as cores e os adereços dão vida, movimento ao espetáculo. O luxo, tão exaltado pelos brincantes e dirigentes, nos leva a imaginar que estamos em outro mundo, em outra atmosfera, o mundo dos maracatus.

Chega a tão esperada hora, os tambores rufam, o triângulo marca com imponência, inebriado com o som, a figura do baliza abre caminho. Feito um saltimbanco, um malabarista de circo, ele faz evoluções anunciando o cortejo.




Surgem então dois sentinelas, trazendo cada um uma lanterna acessa sobre a ponta de um mastro. Com sua luz abrem caminho para o estandarte luxuoso, com o nome, o símbolo e a data de fundação do maracatu em alto relevo, ele é a bandeira dos maracatus.





O primeiro cordão, ou ala, é a dos índios, representando guerreiros com cocares de penas coloridas, arco e flecha, os quais dançam meio que cambaleando, lembrando o “caminhar retrógrado e o balanceado dos crustáceos”. O ritmo marcado pelo estalar das cordas nos arcos combina perfeitamente com o som dos tambores. Os índios abrem o cortejo por terem sido os primeiros habitantes desse país. Eles não pintam o rosto de preto, pois representam uma outra raça. São fundamentais no desfile, representando uma mistura étnica que representa a cearensidade.





Os africanos (esta ala é opcional), tem como característica seus integrantes portando lanças ou motivos tribais. Representa as nações africanas e suas respectivas etnias.




Em seguida, vem o cordão das negras, representando as negras vindas de África para o Brasil. Usam trajes simples geralmente em cores escuras e turbantes. Dançam passos lentos sem muita coreografia. Para alguns grupos elas representam as “Iabas” do candomblé.






 Depois, surgem as baianas, com suas saias rodadas enfeitadas de renda e babado. Dançam girando, lembrando as baianas do candomblé.





Logo após vem o balaieiro, carregando sobre a cabeça um grande cesto com toda abundância de frutas, quanto mais cheio o balaio, mais mérito tem o balaieiro, que dança equilibrando o cesto durante todo o percurso do desfile. O balaio é associado à fertilidade, à natureza. Também representa a atividade de venda exercida pelas negras, libertas ou escravas, com balaios ou tabuleiros vendendo frutas e quitutes.






A negra florista, vem geralmente com cestos em palha trançadas repletos de flores naturais ou artificiais. Representa os vendedores ambulantes da época do Império. Podem também trazer verduras e doces bem, como, além de cestos de tabuleiro.




 

Aparece então a preta e o preto velho, com seus corpos encurvados andam lentamente como se estivessem incorporados pelos mais antigos ancestrais negros, dos seus cachimbos saem às baforadas para proteger os brincantes. Eles são a representação dos pretos velhos da umbanda.





Aproxima-se a dama do paço, carregando a calunga. Ambas vestem o mesmo traje. A calungueira, como também é chamada, baila com a boneca numa coreografia cheia de graça. calunga representa a ligação religiosa dos maracatus com a religião afro-brasileira. Em alguns grupos ela carrega o axé.





Os Orixás, entidades africanas que juntamente com a Calunga protegem e auxiliam o maracatu. Representam o sincretismo religioso africano cultuados pelo candomblé, umbanda e outras religiões africanas.





Em seguida surge a ala da corte, com seus príncipes e princesas usando roupas luxuosas e brilhantes. Com passos lentos e elegantes abrem caminho para a figura suprema do cortejo. A rainha vem acompanhada de seu rei, cobertos por um pálio rodopiante. Ao seu lado um incensador defumando o caminho por onde a rainha vai passar. Nada é tão solene como sua cadência elegante, seus braços abertos e receptivos, seu porte altaneiro, tudo nela é encantador. A sua coroação é o ápice do cortejo. Tudo pára nesse momento. Canta-se uma música especial, a coroa é colocada pela preta velha numa atitude de respeito às velhas africanas portadoras de grande sabedoria. A rainha também representa a “mãe África”. Em alguns maracatus ela é associada a rainha Ginga.










Por fim, com voz forte e imponente vem o macumbeiro ou tirador de loas, acompanhado por sua bateria, ou batuqueiros. O som cadenciado vem dos instrumentos de percussão: bombos, triângulos, caixa e chocalho (podendo variar de acordo com o grupo). 
Essa é a estrutura básica do maracatu, porém cada grupo pode acrescentar, ou retirar alguns personagens, assim como acrescentar instrumentos à bateria.








O maracatu cearense é considerado diferente, exótico, porque seus participantes pintam o rosto de preto e existem muitos homens travestidos de personagens femininas, como a rainha. No início do maracatu, só participavam homens, e foi assim por muito tempo. Mas na atualidade encontramos um grande número de mulheres participando do cortejo. No entanto, em alguns grupos, as mulheres não podem participar de determinadas alas, como a da bateria e da corte, para manter a tradição dos antigos maracatus.

Os blocos de Maracatus em Fortaleza surgiram em meados da década de 1930 e eram diferentes dos Maracatus de Recife. Enquanto os pernambucanos vêm de uma tradição secular, os de Fortaleza era somente uma brincadeira de carnaval. Como nos Maracatus originais do Recife, os Maracatus de Fortaleza tinham várias vestimentas dentro de um mesmo bloco, com a rainha, o rei, o índio, as baianas, o baliza, e outros. Vários blocos carnavalescos fizeram parte do carnaval de rua de Fortaleza no início do século XX e entre eles encontravam-se os blocos de Maracatus, como o Az de Ouro, o Az de Espadas, o Estrela Brilhante e o Rei de Paus (NIREZ, 1993).

O Maracatu do Ceará é a mais tradicional manifestação cultural de origem afro presente na cultura popular cearense e em especial no carnaval de rua de Fortaleza, onde se impôs como força representativa apresentando seu cortejo com imponência e beleza. Em suas apresentações, os batuqueiros e os tiradores de loas, responsáveis pela parte musical do cortejo, entoam cânticos homenageando orixás e figuras expressivas da cultura e da história afro-brasileira.

As imagens e o vídeo são do desfile de 2014.

Veja o vídeo dos Maracatus na Av. Domingos Olímpio.

Parabenizamos a todos os 14 grupos de maracatus que desfilaram neste ano de 2014, pelo brilho da apresentação na avenida.

Fonte consultada: Dissertação de mestrado da UFPE, de Ana Claudia Rodrigues da Silva -  2004.